Hotelaria regride uma década nas dormidas e assiste a mudanças na sazonalidade devido à pandemia
Segundo o INE, excluindo 2020, é preciso recuar a 2010 para encontrar um número de dormidas mais baixo nas unidades de alojamento nacionais.

Inês de Matos
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No ano passado, a hotelaria nacional contabilizou 14,5 milhões de hóspedes e 37,5 milhões de dormidas, valores que traduzem aumentos de 39,4% e 45,2% face a 2020, respetivamente, e que permitem perceber que, excluindo 2020, o número de dormidas ficou pouco acima do que tinha sido registado em 2010, altura em que Portugal vivia a última crise económica e em que tinha sido registadas 37,4 milhões de dormidas.
“Excluindo 2020, é preciso recuar a 2010, quando se registaram 37,4 milhões de dormidas, para se encontrar um número menor de dormidas”, destaca o INE, que divulgou esta segunda-feira, 14 de fevereiro, os dados relativos a dezembro de 2021 e ao acumulado de todo o ano passado.
Em comparação com 2020, o total de hóspedes e dormidas contabilizados pelos estabelecimentos de alojamento turístico nacional registaram descida de 61,6% nos hóspedes e de 63,2% nas dormidas.
No ano passado, a hotelaria nacional registou também mudanças no que diz respeito à sazonalidade, que o INE a sublinhar que o “contexto pandémico não afetou apenas o nível da atividade turística”, uma vez que foi também evidente uma “distribuição mensal dos resultados diferente do padrão sazonal característico”.
“Em 2021, contrariamente ao habitual, não foram os meses de verão (julho a setembro) mas sim os meses de agosto a outubro que registaram maior número de dormidas (49,6% das dormidas totais)”, destaca o INE, referindo que, face ao mesmo período de 2019, os hóspedes decresceram 46,4% e as dormidas diminuíram 46,6%, descidas que atingiram os 10,9% nos residentes e 62,0% nos não residentes.
“Registaram-se decréscimos nas dormidas em todas as regiões face a 2019, principalmente devido às reduções dos não residentes, tendo-se, contudo, observado crescimentos das dormidas de residentes na RA Madeira (+19,2%) e no Algarve (+5,1%)”, refere também o INE.
No ano passado, os proveitos totais da hotelaria aumentaram 61,2%, somando 2,3 mil milhões de euros, ainda que se mantenha uma descida de 45,7% face a 2019, enquanto os proveitos por aposento fixaram-se em 1,8 mil milhões de euros, aumentando 62,8% face ao ano passado, quando este indicador tinha conhecido uma quebra de 45,8% face a 2019.
Por regiões, no ano passado, registaram-se “decréscimos em todas as regiões NUTS III”, com o INE a destacar, pela negativa, a Área Metropolitana de Lisboa, onde a quebra foi de 58,2%, o Médio Tejo, que desceu 54,3%, e a Área Metropolitana do Porto, onde a quebra chegou aos 52,0%.
No que diz respeito apenas ao mês de dezembro, o INE indica que os estabelecimentos de alojamento turístico receberam 1,1 milhões de hóspedes e contabilizaram 2,6 milhões de dormidas, o que corresponde a aumentos 150,0% e 170,4%, respetivamente, ainda que, em comparação com igual mês de 2019, se registem descidas de 28,9% nos hóspedes e 26,7% nas dormidas.
Segundo o INE, em dezembro, o mercado interno contribuiu com 1,1 milhões de dormidas (+92,6%) e os mercados externos com 1,5 milhões (+292,5%), valores que, em comparação com igual mês de 2019, traduzem diminuições de 12,2% nas dormidas de residentes e de 34,9% nas de não residentes.
Já os proveitos de dezembro chegaram aos 153,2 milhões de euros no total, incluindo 108,0 milhões de euros relativamente a aposento, o que indica uma descida de 25,4% face a dezembro de 2019 nos proveitos totais e de 23,3% nos proveitos por aposento.
O RevPar, ou seja, o rendimento médio por quarto disponível situou-se nos 21,5 euros em dezembro, abaixo dos 30,3 euros apurados em novembro, enquanto o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) chegou aos 74,4 euros em dezembro, depois de ter ficado nos 74,2 euros em novembro, valores que comparam com um RevPAR de 27,8 euros e um ADR de 72,8 euros, em dezembro de 2019.