Viagem ao mundo da operação turística | Parte I
O Publituris reuniu quatro operadores turísticos portugueses e o director de vendas da TAP para Portugal, Paulo Henrique Salles Cunha, para discutir o estado do sector no País. Falou-se de concorrência e transparência entre operador e o canal de distribuição e da relação comercial com a companhia aérea de bandeira.

Carina Monteiro
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O Publituris reuniu quatro operadores turísticos portugueses e o director de vendas da TAP para Portugal, Paulo Henrique Salles Cunha, para discutir o estado do sector no País. Falou-se de concorrência e transparência entre operador e o canal de distribuição e da relação comercial com a companhia aérea de bandeira.
A premissa era esta: discutir o futuro da distribuição em Portugal com os operadores turísticos e com o seu parceiro comercial mais importante, a TAP. Mas antes disso, a conversa iniciou-se com as conclusões do inquérito feito pelo Publituris em Maio deste ano. Trouxemos para a mesa algumas conclusões. Na altura, mais de metade dos 16 operadores que responderam ao inquérito afirmou que existem operadores a mais. Nuno Mateus, director-geral da Solférias, é o primeiro a comentar. Para o responsável, “não há operadores a mais”, mas reconhece que o mercado “não tem a dimensão que todos gostaríamos que tivesse”. “Tem de haver um equilíbrio entre a oferta e a procura. Quando se começa uma empresa de raíz, temos de tentar ser diferentes, para que possamos conquistar cada um de nós a sua quota de mercado”, defende.
Por outro lado, o responsável da Solférias introduz um novo elemento na discussão. “Tendo em conta que o alvará português é o mesmo para operadores e agências de viagens, a grande maioria das agências de viagens também faz a sua programação. Se funcionássemos como em alguns países, em que a agência só vende ao retalho e o operador só vende à agência, penso que não teríamos operadores a mais. Aliás, era um número até relativamente equilibrado. O problema, neste momento, é que os operadores vendem às agências e as agências vendem ao público e programam”, alerta.
Questionado se devia haver uma revisão da lei, Nuno Mateus não acredita que seja possível. “Mas se me perguntam se gostava que houvesse uma revisão, claro que sim”, responde.
José Manuel Antunes, director-geral do operador Sonhando é peremptório ao afirmar que existem operadores a mais. “Há operadores a mais. Aliás, quando se formou o capítulo dos operadores na APAVT, fiquei espantado, porque descobri que eram o triplo daqueles que sabia que existiam”, afirma. No entanto, ressalva, “operadores a sério em Portugal, com esta prática, função e dimensão, existem uns oito ou nove”.
O responsável da Sonhando recorda que, até aos anos 80, a lei dividia “claramente” o que eram operadores e não operadores. Na altura, José Manuel Antunes era director-geral do operador turístico Club Vip. Afirma que o operador mantinha “sempre a fidelidade de vender directamente e exclusivamente às agências de viagens”. “Nós e a Mapa Mundo, mas havia um operador, que era o nosso maior concorrente, que não tinha essa prática, que era o Club 1840. Na altura, na discussão pública da lei opusemo-nos”, conta. “É lamentável, porque agora estamos a assistir a um novo ataque de alguns operadores turísticos espanhóis, nomeadamente o Grupo Barceló, que já está a vender directamente ao público, através da Jolidey (…). Os operadores que conservam esta política de vender apenas aos agentes, e somos alguns, não muitos, deparamo-nos com essa dificuldade”, defende.
O director-geral da Exoticoonline, Miguel Ferreira, fala novamente em dimensão para justificar a presença de operadores a mais no mercado. “Se há ou não demasiados operadores, tudo depende da dimensão do mercado. Se olharmos para o nosso mercado: temos um milhão de viajantes, é óbvio que temos muitas agências e muito operadores, comparativamente a outros mercados”, refere. Relativamente à lei que permite que agências e operadores tenham o mesmo alvará, o responsável concorda que, à semelhança do que acontece noutros países, deveria existir o alvará de operador e o alvará de agência. “O operador se vender uma viagem a um amigo, por exemplo, é crucificado, mas quando a agência faz o papel do operador e concorre com o operador, já não é crucificada, ou seja, há dois pesos e duas medidas, dependendo do ponto de vista de cada um. O que leva a crer que os operadores, não é o nosso caso, abram agências de viagens encapotadas ou comprem redes de agências para depois poder escoar o seu produto”, refere. “É verdade que os espanhóis estão a fazê-lo, mas se calhar há portugueses que já o fazem e ninguém sabe”, questiona.
O director de operações da Soltrópico, Fernando Bandrés, começa por fazer uma ressalva. “A Soltrópico tem uma rede de agências de viagens no grupo e eu venho de um operador espanhol que tinha agências de viagens próprias”. O director de operações considera que em algumas empresas com dimensão, devido ao facto de quererem estar em ambos os lados do negócio, “vamos ter que lidar sempre com estruturas com presença no sector grossista e no retalho”. “A diferença está no respeito que essas empresas têm tanto pelo canal de distribuição, como pela parte da operação turística. Nos 18 anos que estive na Globalia em Portugal, apesar de termos a rede Halcon, nunca tiveram condições preferenciais face ao resto do mercado. Encontrei essa mesma política no grupo Newtour. Apesar de estarmos inseridos num grupo, cada um de nós tem os seus objectivos”, constata.
Fernando Bandrés concorda que “a nível de alvará, deveria haver uma distinção entre operadores e retalho”. Miguel Ferreira acrescenta ainda que, se há uma agência que faz o trabalho do operador turístico, “é preciso ver que seguro de responsabilidade civil essa agência tem, porque se acontece um problema, como é que os clientes estão seguros”, questiona.
(continua)
*Artigo publicado no jornal Publituris (edição 1356, de 24 de Novembro de 2018)