Sustentabilidade acompanha crescimento do Turismo
Com o crescimento exponencial do Turismo em Portugal, estarão as empresas do sector a acompanhar este aumento com práticas sustentáveis no que ao ambiente diz respeito? Esta foi uma das […]

Raquel Relvas Neto
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Com o crescimento exponencial do Turismo em Portugal, estarão as empresas do sector a acompanhar este aumento com práticas sustentáveis no que ao ambiente diz respeito? Esta foi uma das questões que colocámos a empresas de certificação e outras. Fique a saber o ponto de situação do Turismo Sustentável.
O ano de 2017 foi proclamado, pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. Neste âmbito, a Organização Mundial do Turismo tem promovido várias acções, sobretudo para fomentar viagens e viajantes mais responsáveis. ‘Travel, enjoy, respect’ é o mote das campanhas lançadas pela OMT.
Para Taleb Rifai, presidente da OMT, falar de desenvolvimento sustentável é falar dos três pilares: económico, social e ambiental. “O Turismo é hoje em dia um dos sectores mais importantes no mundo, tanto pelo seu volume como pela sua capacidade de crescimento apesar dos desafios constantes. O sector representa a nível global cerca de 10% do PIB, 1 em cada 10 empregos e gera 7% das exportações mundiais. Neste sentido, a sua contribuição ao crescimento económico tanto em países avançados como em desenvolvimento é cada vez mais relevante”, começa por dizer o responsável.
Em termos sociais e ambientais, Taleb Rifai salienta que o Turismo pode gerar “meios muito importantes para a preservação ambiental e para a proteção, promoção e valorização da cultura e do património”. No entanto, alerta que “o facto de estarmos perante um sector de grande crescimento naturalmente temos que assegurar que esse crescimento se faz com respeito pelo meio ambiente e pelas comunidades onde se desenvolve”.
“Por todas estas razões, o Turismo é hoje reconhecido como um sector que pode contribuir ao desenvolvimento sustentável e exemplo desse reconhecimento é o facto do sector estar incluído como parte dos indicadores de três dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas aprovados em final de 2015”, refere. Porém, o presidente da Organização Mundial do Turismo identifica ainda algumas lacunas que existem no sector tendo em conta o desenvolvimento sustentável: “Existem muitos avanços ao nível de uma maior inclusão da sustentabilidade nas políticas públicas assim como nas estratégias empresariais. Existe igualmente uma maior consciência da necessidade de medir o impacto do sector em termos ambientais e sociais. Mas existem igualmente muitas lacunas, especialmente a nível de medir o verdadeiro impacto do sector de forma a desenvolver políticas adequadas pela falta de indicadores únicos e comparáveis. Nesse sentido, a OMT acaba de lançar uma nova iniciativa de medição do Turismo Sustentável que pretende avançar um quadro estatístico que permita medir o Turismo Sustentável nas suas três dimensões”. Alguns dos destinos estão inclusive já a implementar Observatórios de Turismo Sustentável para poder “identificar o verdadeiro impacto do sector e adequar as políticas a seguir”.
Portugal
Por cá, com o aumento considerável que o Turismo tem registado nos últimos anos por todo o País, quisemos saber se as próprias empresas turísticas também já estão mais atentas ao papel que têm no desenvolvimento de um Turismo Sustentável. Para tal, contactámos várias entidades que fazem sobretudo a certificação e consultadoria nesta área às empresas do sector turístico para saber qual o balanço que fazem. Fique a conhecer.
Para Fátima Vieira, coordenadora nacional do programa Green Key, um galardão internacional que promove o Turismo Sustentável em Portugal, no que diz respeito aos hoteleiros portugueses, estes estão “cada vez mais sensíveis a este tema, não só porque lhes potencia uma redução de custos operacionais, mas também porque lhes proporciona uma maior procura”.
Já Sofia Santos, secretária-geral do BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, indica que existem “óptimos exemplos de práticas de gestão sustentável, quer em grandes empresas, quer em PME”, mas considera que não existe uma generalização desta prática. Para a responsável, os princípios da sustentabilidade devem estar presentes ao longo da cadeia de valor do Turismo, algo que ainda está numa fase “inicial”.
Por sua vez, Francisco Cadete, director de golfe do West Cliffs, resort em Óbidos, que recentemente obteve a certificação internacional GEO On Course, que verifica a sustentabilidade de todo o projecto, considera que a sustentabilidade no Turismo “não tem apenas a ver com a parte ambiental”. E explica: “Uma actividade sustentável tem que causar os menores impactos possíveis no ambiente, usar correctamente todos os recursos disponíveis e trazer benefícios para a empresa e para a comunidade envolvente. Sustentabilidade passa por garantir um aumento de bem-estar a todos os envolvidos”. Neste sentido, Francisco Cadete defende que a sustentabilidade do Turismo em Portugal passa por “valorizar os recursos humanos da região, valorizar os produtos locais e manter a autenticidade. Para se conseguir tudo isto, são necessários cuidados com o ambiente (limitar consumos de água, energia, etc.), aumentar a formação de todos os intervenientes, usar cada vez mais produtos nacionais. Tudo isto vai aumentar a sustentabilidade do Turismo em Portugal”.