Congresso APAVT: Distribuição turística representou 2,6% do PIB nacional em 2023, segundo análise da EY
O valor económico do setor da distribuição turística em Portugal era representava 2% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2019, tendo subido para 2,4% em 2022, e em 2023, estima-se que tenha chegado aos 2,6%, com 6 mil milhões de euros de VAB e de contributo para a economia nacional, revela um estudo da EY, com dados fundamentais para aquilo que são as atividades das agências de viagens e operadores turísticos intitulado “A distribuição turística pós-pandemia”, apresentado pela diretora executiva, Sandra Primitivo, durante o 49º Congresso da APAVT, em Huelva.

Carolina Morgado
Descobrir o Algarve através de 18 experiências de Turismo Industrial
easyJet assinala 10.º aniversário de base no Porto com oferta de descontos
ISCE reúne 34 parceiros na “Global Tourism TechEDU Conference 2025”
AVK adquire Pixel Light e consolida liderança no setor audiovisual
Air France opera até 900 voos por dia para quase 190 destinos no verão 2025
ARPTA com nova liderança
Iberia reforça ligações a Roma, Paris e Viena
Os 3 dias do RoadShow das Viagens do Publituris
SATA lança campanha para famílias com tarifa gratuita para crianças
Indústria do turismo dos EUA preocupada com queda nas viagens domésticas e internacionais
Quanto é que o setor da distribuição turística contribui para a riqueza do país? Foi esta pergunta que um estudo elaborado pela EY a pedido da APAVT, e apresentado no seu 49º Congresso, em Huelva, pretendeu responder.
Tendo em conta que parte muito significativa do negócio das agências de viagens são as comissões, pois são, a grande maioria, intermediários, “é preciso analisar o valor que é alavancado pelo turista agenciado”, disse Sandra Primitivo, para explicar que, para efeitos de Valor Acrescentado Bruto (VAB) há outras atividades que são chamadas a contribuir. Contabilizados esses valores, a análise conclui que o valor económico do setor da distribuição turística era de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2019 (antes da pandemia) subindo para 2,4% em 2022, para chegar a 2,6% o ano passado.
Sem novidade, a conclusão a que a consultora chegou, com dados referentes a 2022, é que o tecido empresarial da distribuição turística é constituído por pequenas e médias empresas e com alta rotatividade, em linha do que acontece ao nível europeu, que a maioria são de cariz familiar, mas com pessoal muito qualificado, acima da média da economia portuguesa.
Sandra Primitivo indicou ainda que “o que temos visto é que o número de empresas tem vindo a aumentar ao longo dos anos, que durante a pandemia estabilizou, mas em 2022 já tínhamos recuperado o número de agências de viagens”, reforçando que, “o que aconteceu durante a pandemia é que os “nascimentos” reduziram e as “mortes” aumentaram, e agora estamos no nível em que quase os dois se encontraram”. Em 2022 existiam 2.627 empresas de distribuição turística, mais 23 que em 2019.
Por outro lado, o estudo refere que este é um setor muito jovem, 40% tem menos de cinco anos, e onde existem poucas barreiras de entrada, muito sem necessidade de capitais mínimos, e uma vez que passam a ser agências de viagens têm fácil acesso às plataformas e, portanto, está sempre em rotação. Refira-se que, de acordo com a análise, as empresas mais antigas representam quase 60% do volume de negócios e as 10 maiores representam 40% da faturação total. “É um mercado muito fragmentado, mas o volume de negócios está naquelas mais antigas, são as mais resilientes e têm maior quota de mercado e as mais pequenas tendem a sair do mercado com maior frequência”, comentou a diretora executiva da EY. No entanto, o volume de negócios desce setor atingiu 2.634 milhões de euros em 2022, mesmo assim, 206 milhões de euros abaixo do ano da pré-pandemia, indica o estudo.
Comparadas com outras atividades do turismo, a EY verificou que o volume de negócios das agências de viagens cresceu até 2019 e durante a pandemia houve uma quebra abrupta, tendo sido mais acentuada na distribuição do que nos outros setores que compõem o turismo porque, na hotelaria e na restauração assistiu-se a alguma substituição do mercado internacional pelo doméstico, nas agências de viagens isso não aconteceu porque os turistas não vinham e os nacionais também não iam. Portanto, o setor da distribuição turística foi gravemente afetado, o que mais recorreu ao endividamento para continuar a atividade. Depois houve uma recuperação em 2022, não atingindo ainda o volume de negócios aos valores de 2019, mas em 2023 houve uma retoma, estando já ao nível anterior, “o que demonstra a grande capacidade de resiliência, o que se deveu não só à adaptação que as próprias agências de viagens tiveram, aos apoios que o Estado também deu durante a pandemia, bem como a algum aumento de preço que, entretanto, aconteceu e que se reflete aqui”, destacou Sandro Primitivo.
Via inquérito, a EY apurou que o segmento de outgoing e lazer continuam a ter a principal fatia do volume de negócios das agências de viagens e que ele se reforçou entre 2019 e 2022, (representava 50% em 2019, subindo para 61% em 2022), enquanto o corporate teve retrocesso (20% da faturação da distribuição turística em Portugal em 2019, para 17% em 2022). Igualmente, através dos inquéritos a consultora verificou que 37% do volume de negócios das agências de viagens reflete a faturação através dos canais online, que “tem crescido, mas devagarinho, o que quer dizer que os balcões físicos ainda continuam a ser a grande aposta destas empresas espalhadas por todo o país”, frisou, para avançar que “as empresas de maior dimensão são as que têm a maior penetração online”.
No pós-pandemia, o estudo realça ainda que houve maior aposta em nichos de mercado e maior personalização das experiências, conhecendo o perfil de cada cliente, ao mesmo tempo, reforçando a visibilidade online.