InVisit. Está a chegar um sistema açoriano que ajuda a gerir fluxos de visitantes
Novo sistema, que recorre à inteligência artificial, vai permitir controlar, em tempo real, os fluxos de visitantes nas atrações e destinos turísticos, evitando a sobrelotação e assegurando a sustentabilidade. Arranque está para breve e deverá acontecer nos Açores.

Inês de Matos
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Novo sistema, que recorre à inteligência artificial, vai permitir controlar, em tempo real, os fluxos de visitantes nas atrações e destinos turísticos, evitando a sobrelotação e assegurando a sustentabilidade. Arranque está para breve e deverá acontecer nos Açores.
Com o crescimento do turismo nos Açores, aumentaram também as críticas devido à sobrelotação de algumas das principais atrações turísticas do arquipélago, problema que começava a preocupar Luís Pimentel e Gonçalo Andrade, dois jovens empreendedores açorianos, que decidiram por mãos à obra e contribuir para solucionar o problema. A oportunidade surgiu com o Concurso Regional de Empreendedorismo dos Açores, no qual decidiram participar. “Todo o conceito surgiu durante o Brainstorm que realizámos para desenvolver uma ideia no âmbito do concurso de empreendedorismo”, começa por revelar ao Publituris Luís Pimentel, explicando que todo o processo demorou à volta de seis meses e abordou diversos problemas locais e globais. “No final e após a necessidade de adaptar o projeto à nova realidade, conseguimos isolar situações que são comuns em várias regiões/destinos insulares com preocupações de sustentabilidade e acabámos por chegar ao conceito base do projeto InVisit”, acrescenta o promotor do projeto.
O InVisit (invisit.pt) acabaria por ganhar o concurso de empreendedorismo, num prémio que, segundo Luís Pimentel, “reconheceu e validou o caráter inovador do sistema”, que pretende “contribuir para melhorar os Açores e outras regiões turísticas insulares do Mundo”, aponta.
Ao Publituris, o responsável conta que “na última época alta antes da pandemia da covid-19, foram várias as queixas de residentes e de turistas devido à sobrelotação de ex-líbris da ilha de São Miguel”, como a Lagoa do Fogo, a Poça da Dona Beija ou a Lagoa das Sete Cidades. “Se antes de visitar um destino como os Açores se pensa num cenário idílico e de paz e, ao chegar, o local está repleto de gente, a experiência é prejudicada”, destaca.
No entanto, como realça o responsável, “as queixas devido ao excesso de pessoas num determinado local, só aconteciam porque não havia uma solução capaz de transmitir a informação e auxiliar na distribuição do fluxo de pessoas, assim como fornecer informação às entidades responsáveis como auxílio nas tomadas de decisão”. É justamente essa monitorização do fluxo de visitantes que o InVisit permite fazer em tempo real, uma vez que em muitos destinos, como era o caso de São Miguel, não era o excesso de turismo que estava em causa, mas sim a “redistribuição das pessoas por diferentes pontos da ilha”, defende Luís Pimentel, argumentando que “só com informação é possível tomar as melhores decisões”, e que, “na necessidade de preparar a retoma do turismo, se torna imperativo tornar os destino num Smart Sustainable Destination”.
Como funciona o InVisit

Luís Pimentel, promotor InVisit
Vocacionado para destinos turísticos e empresas consultoras de destinos sustentáveis que querem ter uma solução que garanta mais segurança, sustentabilidade e a melhor experiência aos visitantes, já que permite, por exemplo, que as entidades responsáveis pelos destinos conheçam, em tempo real, a ocupação dos espaços e recebam relatórios sobre a previsão da afluência ao local, o InVisit baseia-se, segundo Gonçalo Andrade, “num recetor a ser implementado no destino selecionado, que permite rastrear a ocupação do local e obter informação meteorológica”. “Depois, através da combinação dos fatores climáticos, visibilidade e ocupação do espaço, é calculado o índice inVISIT, que é transmitido por um código de cores”, revela o responsável, explicando que, nesse código de cores, o verde significa que a afluência é reduzida e boa para visitar o local, enquanto o laranja indica uma afluência média e o vermelho traduz um excesso de visitantes.
Gonçalo Andrade sublinha ainda que o sistema InVisit “terá um dashboard intuitivo para transmitir a informação, um mapa que poderá ser integrável em diversas plataformas e uma aplicação para smartphone” e, visto que é um sistema baseado na inteligência artificial, “será possível, além de ter a informação em tempo real, obter alertas, histórico de dados e relatórios semanais”.
O InVisit encontra-se atualmente em fase de iniciação de testes-piloto, com o responsável a revelar que existem contactos “com várias regiões insulares além dos Açores” para a instalação do sistema, inclusive por parte das Canárias. “Até ao momento tem sido demonstrado interesse em fazer parte do projeto e serem destinos pioneiros na preparação do destino para a nova realidade”, diz Luís Pimentel, sublinhando que, numa altura de pandemia, torna-se ainda mais importante garantir uma eficaz redistribuição dos visitantes, já que é “aconselhada a manutenção do distanciamento social”, o que poderá ajudar a aumentar o interesse dos destinos.
Por enquanto, o foco dos dois empreendedores continua virado para os Açores e Luís Pimentel diz mesmo que seria “um orgulho” ver o InVisit implementado e em funcionamento no arquipélago. “Neste momento estamos a analisar com vários destinos, mas sem dúvida seria um orgulho que o nosso primeiro projeto piloto fosse desenvolvido na nossa terra. Acreditamos que será possível, tendo em conta a importância para a região de existir uma solução como a InVisit”, refere, explicando que existe “todo o interesse em expandir o projeto a outras regiões”, ainda que, neste momento, o objetivo dos dois promotores passe por reunir condições para seja possível “finalizar um sistema que corresponda às reais necessidades”.
Expetativas e divulgação
Luís Pimentel diz que, como o InVisit poderá ser integrado nas aplicações e websites oficiais dos destinos turísticos, não tem, para já, uma “projeção do alcance possível”, nomeadamente quanto ao número de utilizadores que o InVisit poderá vir a obter, mas não tem dúvidas que esta será uma ferramenta importante, que deverá chegar a muitos utilizadores. “Sem dúvida será uma utilização massiva”, aponta.
Para dar a conhecer o projeto, os promotores do InVisit têm vindo também a manter contactos com consultoras internacionais que, segundo o responsável, “apresentaram interesse no projeto”, assim como com “entidades públicas das várias regiões responsáveis pelo Turismo”.