“É fundamental mostrar que estamos a fazer tudo para que os turistas se sintam seguros”
Para o presidente do Grupo PortoBay, António Trindade, importa passar “uma mensagem de confiança ao mercado e esta mensagem faz-se pela garantia de que continuamos e temos cada vez mais rigor nas medidas de proteção do cliente.

Raquel Relvas Neto
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A apresentação de um teste negativo ou de um certificado de vacinação contra a COVID-19 para aceder a um estabelecimento turístico ou de alojamento local em todo o país é entendida como uma “necessidade de estabelecer maiores e melhores controlos em relação à mobilidade turística europeia” pelo presidente do Grupo PortoBay, António Trindade.
Em declarações ao Publituris, António Trindade recordou que a apresentação de uma destas provas mencionadas anteriormente já é prática comum em vários destinos europeus. “Este tipo de medidas é algo que já corre transversalmente em termos europeus e nas grandes áreas de mobilidade. Antes mesmo de chegar aos hotéis, já acontece nos transportes, nomeadamente no transporte aéreo já é exigido esse tipo de prova”, salientou.
Para o empresário, esta medida revela-se atualmente fundamental no sentido de contribuir para a mensagem de segurança que o país deve transmitir ao mercado. “Para nos posicionarmos bem em relação aos nossos destinos concorrentes, é fundamental que possamos passar uma mensagem de confiança e, atualmente em ambiente de pandemia, a melhor prova é a exigência nos hotéis e nos meios de transporte”.
“A Madeira tem um filtro que se chama aeroporto, já no ano passado não chegava ninguém aos hotéis com a excepção dos madeirenses, que não tivesse feito prova ou teste para essa circulação”
António Trindade relembra o exemplo praticado pelo arquipélago da Madeira que, desde o início da pandemia, passou a exigir a realização de um teste PCR para se entrar no destino, suportado inclusive pelo Governo Regional. “A Madeira tem um filtro que se chama aeroporto, já no ano passado não chegava ninguém aos hotéis com a excepção dos madeirenses, que não tivesse feito prova ou teste para essa circulação”. Apesar de referir que esta medida teve impactos negativos na operação de 2020, atualmente, o arquipélago é o que tem melhores resultados dentro da operação do grupo hoteleiro. “No ano passado, tivemos taxas inferiores de ocupação na Madeira por causa deste aumento de exigência, mas se olharmos para a situação atual na Madeira em comparação com os outros destinos portugueses, estamos incomparavelmente com melhores taxas de ocupação do que a plataforma continental”, salienta, justificando que este aumento se deve ao facto das pessoas terem “uma perspetiva perante a segurança e a confiança diferentes do que tinham no ano passado”.
Será sobretudo “devido à melhor operação da Madeira”, que o grupo hoteleiro perspetiva ter um melhor resultado em 2021 do que 2020, pois no Funchal, onde estão localizadas sete hotéis PortoBay, existem, neste final de mês de julho, situações de ‘overbooking’. O Grupo PortoBay vai, assim, “ter resultados diferentes em função das diferentes geografias onde estamos situados”, indica o seu presidente, referindo-se às situações mais complicadas que se verifica no Algarve e nas cidades de Lisboa e do Porto, onde a marca está presente.
“No fim de julho, estávamos com 82% de ocupação prevista (reservas dentro de casa). Estamos atualmente com 45%”, refere o responsável, justificando que “houve um volume de cancelamentos enorme pelo facto de não estarmos [Portugal] a cumprir com os parâmetros que eram exigidos pelas diversas origens”.
Agora, releva o presidente do Grupo PortoBay, importa passar “uma mensagem de confiança ao mercado e esta mensagem faz-se pela garantia de que continuamos e temos cada vez mais rigor nas medidas de proteção do cliente dentro dos hotéis, dentro dos estabelecimentos” e de que os filtros de deteção de casos positivos são feitos “nas diversas frentes, quer em termos de acessibilidades externas de Portugal, quer depois no próprio controlo interno dos hotéis”. Para o hoteleiro, a mensagem de “ambiente seguro” é “fundamental” seja para os clientes, mas também para os funcionários, destacando que é importante demonstrar que “estamos a fazer tudo para que os nossos turistas se sintam seguros. Essa é uma mensagem fundamental e aí, rastreando ao máximo também na própria receção dos hotéis, dado que em termos continentais não temos o mesmo filtro que na Madeira”.
Questionado sobre se a estratégia madeirense não poderia ter sido adotada há mais tempo pelo continente, o responsável admite que essa é a “única crítica” que pode fazer, “o facto destas medidas terem sido tomadas muito depois da Madeira e não se ter seguido, desde logo, o exemplo que foi adotado” na região.
Esta mensagem de segurança torna-se ainda mais relevante perante a situação difícil que o setor hoteleiro está a viver. “Estamos a sentir um decréscimo de tráfego e, em relação a isso, é fundamental passar essa mensagem de confiança. Não gosto de dizer, e tenho dito desde o início, que Portugal é um país seguro, o que devemos passar é que, em Portugal, os agentes turísticos fazem tudo para que os turistas se sintam em segurança”, destacou.