Impacto da COVID-19 no turismo pode custar 4 biliões de dólares à economia mundial
As perdas entre 1,2 e 3,3 biliões de dólares, apontadas pela OMT, em julho de 2020, são agora descritas como “otimistas”. Os números indicam, agora, que o impacto da pandemia no turismo poderá ascender a 4 biliões de dólares (cerca de 3,4 biliões de euros) na economia global.

Victor Jorge
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O impacto da pandemia da COVID-19 no turismo internacional pode impactar em mais de quatro biliões de dólares (cerca de 3,4 biliões de euros) o PIB global relativamente aos anos de 2020 e 2021, revela um relatório conjunto realizado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e Organização Mundial do Turismo (OMT).
Em 2020, as perdas estimadas pelas duas organizações no turismo internacional e seus setores intimamente ligados ascendem a 2,4 biliões de dólares (mais de dois biliões de euros), devido aos impactos diretos e indiretos de uma queda acentuada nas chegadas de turistas internacionais.
“Uma perda semelhante pode ocorrer este ano”, alerta o relatório, observando que “a recuperação do setor de turismo dependerá em grande parte da adoção de vacinas COVID-19 em todo o mundo”.
“O mundo precisa de um esforço global de vacinação que proteja os trabalhadores, mitigue os efeitos sociais adversos e tome decisões estratégicas em relação ao turismo, levando em consideração as possíveis mudanças estruturais”, refere a secretária-geral em exercício da UNCTAD, Isabelle Durant.
Do lado da OMT, o secretário-geral, Zurab Pololikashvili, salienta que o turismo “é uma tábua de salvação para milhões, e promover a vacinação para proteger as comunidades e apoiar o reinício seguro do turismo é fundamental para a recuperação de empregos e geração de recursos muito necessários, especialmente nos países em desenvolvimento, muitos dos quais são altamente dependentes do turismo internacional”.
Países em desenvolvimento prejudicados por desigualdades no processo da vacina
Com a vacinação contra a COVID-19 a desenvolver-se de forma mais pronunciada mais nuns países do que outros, o relatório afirma que “as perdas no turismo são reduzidas na maioria dos países desenvolvidos, mas pioram nos países em desenvolvimento”.
As taxas de vacinação da COVID-19 são “desiguais entre os países”, indicando o relatório que variam de “menos de 1% da população em alguns países a acima de 60% em outros”.
Por isso, afirmam as duas entidades, “a distribuição assimétrica de vacinas amplia o impacto económico que o turismo sofre nos países em desenvolvimento”, admitindo o relatório que estes países podem responder por “até 60% das perdas globais do PIB”.
As estimativas apontam para que o setor de turismo possa recuperar mais rapidamente em países com altas taxas de vacinação, como França, Alemanha, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos, diz o relatório.
Contudo, os especialistas não esperam um regresso aos níveis pré-COVID-19 antes de 2023 ou mais tarde, avança a OMT.
Como principais barreiras são apontadas as “restrições às viagens, a contenção lenta do vírus, a baixa confiança dos turistas e um mau clima económico”.
Perdas podem chegar aos dois biliões de euros em 2021
De acordo com as contas da UNCTAD, a recuperação do turismo internacional é esperada no segundo semestre deste ano de 2021, indicando, contudo, no seu relatório que, a perda para a economia global poderá fixar-se entre os 1,7 biliões de dólares e os 2,4 biliões de dólares (entre 1,4 e dois biliões de euros), em comparação a 2019.
Estes resultados são baseados em simulações que englobam apenas os efeitos da redução do turismo internacional e não possíveis políticas como programas de estímulo económico que podem minimizar o impacto da pandemia no setor.
O relatório avalia os efeitos económicos de três cenários possíveis – todos refletindo reduções nas chegadas internacionais – no setor de turismo em 2021.
O primeiro, projetado pela OMT, reflete uma redução de 75% nas chegadas de turistas internacionais (previsão mais pessimista) com base nas reduções de turistas observadas em 2020.
Já no segundo cenário (menos pessimista), a OMT indica uma redução de 63% nas chegadas de turistas internacionais, enquanto no terceiro, formulado pela UNCTAD, são consideras taxas variáveis de turismo doméstico e regional em 2021. Assim, este cenário pressupõe uma redução de 75% do turismo em países com baixas taxas de vacinação e uma redução de 37% em países com taxas de vacinação relativamente altas, principalmente países desenvolvidos.
Quanto ao emprego e/ou a perda deste, o relatório aponta para que a redução do turismo provoque “um aumento de 5,5% no desemprego de mão de obra não qualificada em média, com uma variação elevada de 0% a 15%, dependendo da importância do turismo para a economia”.
O relatório refere ainda que a mão-de-obra representa “cerca de 30% das despesas com serviços turísticos nas economias desenvolvidas e em desenvolvimento”, concluindo ainda que “as barreiras de entrada no setor, que emprega muitas mulheres e jovens funcionários, são relativamente baixas”.
Estimativas passadas eram “otimistas”
De referir que, há um ano, ou seja, em julho do ano passado, a UNCTAD estimou que uma paralisação de quatro a 12 meses no turismo internacional custaria à economia global entre 1,2 e 3,3 biliões de dólares (entre um e 2,7 biliões de euros), incluindo custos indiretos.
Contudo, pelas contas apresentadas, as perdas são maiores do que o previsto há um ano, já que mesmo o pior cenário projetado pela UNCTAD no ano passado revelou-se “otimista”.
De acordo com a OMT, as chegadas de turistas internacionais diminuíram 74% entre janeiro e dezembro de 2020, correspondendo a cerca de mil milhões de viagens.
Já para o primeiro trimestre de 2021, o Barómetro Mundial do Turismo da OMT aponta para uma queda de 84%.
Os países em desenvolvimento foram os que mais sofreram com o impacto da pandemia no turismo, indicando a OMT que as quebras nas chegadas de turistas, em 2020, se cifraram entre os 60% e 80%.
Entre as regiões mais afetadas estão o Nordeste Asiático, Sudeste Asiático, Oceânia, Norte de África e Sul da Ásia, enquanto as menos afetadas são América do Norte, Europa Ocidental e Caribe.