Susana Filipa Gonçalves | Prática e foco em quem aprende: duas abordagens para o sucesso da formação em eventos
Num contexto em que os eventos têm ganho um destaque em termos turísticos, importa-nos refletir sobre a forma como se entende a formação de quem trabalha ou virá a trabalhar nesta área. (rect.)

Publituris
Soltour reforça operação para a Tunísia com voos de Lisboa e do Porto
4º Encontro da Rede das Estações Náuticas de Portugal reúne 170 participantes em Odemira
GEA faz balanço positivo das suas reuniões regionais
Mercado das Viagens promove ciclo de formações
2024 regista novo recorde nas reservas no AL
Procura por alojamento na Páscoa em Portugal cresce 22,1% com tarifa média diária a subir 13,7%
Lisboa e Porto Alegre voltam a estar ligadas com voos da TAP
90% dos gestores de viagens empresariais já utilizam IA, mas “muitos continuam a enfrentar obstáculos”
ITA Airways junta-se à aliança de aviação Star Alliance
Caminhos Cruzados amplia leque de experiências enogastronómicas
Susana Filipa Gonçalves, docente na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril
Num contexto em que os eventos têm ganho um destaque em termos turísticos, importa-nos refletir sobre a forma como se entende a formação de quem trabalha ou virá a trabalhar nesta área. A esta discussão trazemos hoje duas abordagens que consideramos fundamentais: a importância da prática no processo de aprendizagem e o foco a partir do qual se estruturam os processos de aquisição de competências.
Em relação à importância da prática, há muito que a experiência do ‘aprender fazendo’ é reconhecida pelos seus resultados, inclusive comprovados cientificamente. Não temos dúvida que a formação deve assentar em sólidos princípios teóricos. Mas é a aplicação prática que permite aceder a saberes específicos para fazer frente aos desafios multifacetados dos eventos. É a prática que obriga a uma polivalência que é incontornável quando nos encontramos ‘on site’.
Assim, muito mais do que trazer o mercado para dentro da sala de aula, entendemos que a formação na área dos eventos deve levar o processo de aprendizagem para o exterior, para os desafios, para os contactos diretos com o que é ou será o mercado de trabalho. Esta abordagem leva-nos também a uma visão holística do processo, misturando e complementando as competências adquiridas noutros contextos de aprendizagem formal e informal. Colocar estudantes a planear, gerir, produzir e avaliar eventos é a melhor forma de pôr em prática os conhecimentos e, em simultâneo, ir aprendendo.
Quanto à segunda abordagem, consideramos que o foco do processo de aquisição de competências deve ser quem aprende e não quem ensina. É por isso que também as estratégias de ensino têm de ser repensadas. Mais do que instruir ou dar lições, debitando verdades absolutas para serem repetidas, quem ensina passa a ter um maior papel de orientação, acompanhamento e apoio na procura do conhecimento. Se, para alguns, esta pode parecer uma visão idílica, quase impossível de implementar, o que podemos afirmar é que, de facto, não é fácil. É desafiante!
Para além da natural resistência à mudança e ao desconhecido, os processos de aprendizagem formal nem sempre permitem a aplicação prática destas duas abordagens. Até para os estudantes este tipo de abordagem traz algum desconforto. Deixa-os sem os pontos de referência a que estão habituados, como por exemplo: conteúdos programáticos muito delimitados, slides com a matéria estruturada ou rígidos guias para os trabalhos a efetuar.
No entanto, segundo a nossa experiência, os resultados são muito mais eficazes e gratificantes. As competências ‘hard’, ou seja, as questões mais técnicas, são sem dúvida melhor compreendidas e apreendidas, mas são as competências ‘soft’ que mais impacto têm no processo de aprendizagem. Questões tão importantes nos eventos como a capacidade de fazer e gerir várias coisas ao mesmo tempo, as relações interpessoais ou a gestão de tempo, cansaço, stress e emoções, não se resumem a respostas formatadas em frequências. São sentidas na pele, vividas com intensidade e como tal apreendidas de uma forma que não permite ‘uma branca’ no momento de reproduzir o que alguém disse. Sabemos que não existem situações perfeitas, que a execução muitas vezes fica aquém da ideia, mas não desistimos de trabalhar para que cada vez mais estejamos perto do que consideramos o melhor contexto de aprendizagem para que quem tenha um diploma, de facto, tenha também as competências mais adequadas ao desempenho da profissão.
*A autora escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico.