Que tendências vamos experienciar nos vários segmentos de viagens?
As pessoas estão ávidas para viajar, mas em que condições o vão fazer? Alguns profissionais de viagens partilham as suas perspetivas.

Raquel Relvas Neto
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A pandemia provocou alterações profundas às necessidades, preferências e exigências dos consumidores. Na verdade, todos nós tivemos de nos adaptar a esta realidade com novos hábitos que são transversais às várias áreas do nosso dia-a-dia. Também se perspetiva que a pandemia traga alterações à forma de viajar, quando o pudermos fazer em pleno.
Contudo, quisemos saber a percepção que os profissionais do setor têm sobre o que podem ser as tendências que vão prevalecer nos vários segmentos de viagens.
Frédéric Frère, CEO da Travelstore, especialista em soluções de viagens de negócios, afirma que existe a necessidade de se fazer uma distinção do curto prazo do médio e longo prazo. “No curto prazo, as expectativas dos viajantes de negócio – e das suas empresas – vão estar muito ligadas à capacidade dos atores da indústria de viagens de endereçar as preocupações de segurança sanitária e de responder às inúmeras dúvidas e pedidos de informação que os clientes vão colocar durante a fase do “return to travel” que certamente vai durar uns largos meses”, aponta. Um contexto que, espera o responsável, tenha impacto ao nível da produtividade das empresas que fornecem esses serviços, seja as TMC’s (‘travel management company’), sejam as companhias aéreas ou os hotéis, reflectindo-se depois no custo para o cliente. Quanto ao médio e longo prazo, Frédéric Frère julga que se vai assistir a “uma evolução das propostas de valor dos intervenientes da indústria, porque as empresas irão, cada vez mais, desafiar a necessidade de se viajar versus ter uma reunião digital e exigir que se consiga demonstrar o retorno sobre investimento de uma viagem face aos seus custos e ao seu impacto ambiental/emissões de carbono”. Já na perspetiva dos viajantes de negócios, o responsável considera que vão exigir viajar “em melhores condições de conforto” do que na era pré-COVID. “Condições que, como todos nos lembramos, se degradavam de ano para ano, com inúmeras medidas de segurança a cumprir antes de embarcar e um conforto e serviço a bordo cada vez menor”, recorda.
Como demonstrou o estudo da European Travel Comission, recentemente divulgado, 54% dos europeus esperam realizar uma viagem antes do final de julho pela Europa, revelando a ansiedade que as pessoas têm em voltar a viajar depois de meses confinados.
Helena Palma Duarte, responsável da agência de viagens By Travel da Venda do Pinheiro, prevê que no segmento de lazer as preferências destes turistas vão continuar a recair no produto Sol&Praia, mas t ambém pelo turismo de natureza, que, “à semelhança de 2020, continuará a crescer”. “No contexto atual, as pessoas privilegiam zonas mais isoladas, longe de grandes aglomerados e inseridas na natureza, preferencialmente próximas de praias, sejam elas de mar ou fluviais”, aponta a agente de viagens, complementando que os destinos “sanitariamente seguros e com boa assistência médica” sairão privilegiados. Numa primeira fase, Helena Palma Duarte indica que a procura vai recair nas férias cá dentro e nas ilhas (fly&drive), mas “gradualmente quererão sair de Portugal, tendo a Europa e ilhas espanholas como opção”. Já zonas que obriguem a quarentena “não serão sequer equacionadas”, adverte.
No que diz respeito à área do ‘incoming’, esta tem especial relevância para a recuperação do turismo em Portugal. Na opinião de Dafne Lemos, da QASAR dmc, “os turistas que nos irão visitar vão procurar: segurança, tranquilidade e sol”, recaindo as preferências nas cidades e destinos de praia, com destaque para Lisboa, Algarve e Madeira.
Um dos segmentos de turismo também importante para Portugal e que as previsões apontam como aquele que mais vai demorar a recuperar é a Meeting Industry, facto com o qual Paula Antunes, da Compasso, concorda.
Apesar destas previsões, a responsável denota que existe uma maior apetência para que os serviços em M&I se “realizem em espaços amplos”, mas também uma procura por atividades ao ar livre. “Os clientes de MI continuarão a privilegiar programas de excelência, e penso que irão, preferencialmente, considerar as condições de segurança sanitária, destinos de maior proximidade e questões da sustentabilidade nos eventos futuros, assim como um menor número de participantes do que era habitual”, aponta.
Apesar de reconhecer o contributo que as ferramentas digitais tiveram para agilizar as reuniões, “minimizar o distanciamento e manter a comunicação entre as pessoas”, à semelhança do que aconteceu no segmento das viagens de negócios como aponta também Frédéric Frère, Paula Antunes acredita na permanência dos eventos híbridos, mas destaca “a enorme vontade de se voltar a socializar”. Assim, prevê que “a tendência para encontros e eventos presenciais aumentará, à medida que haja novamente condições para tal”.
Frédéric Frére até julga que “as ferramentas de webconferências vão acabar por ser um dos motores das reuniões presenciais, tal como antigamente se tinha uma primeira conversa telefónica para depois rapidamente combinarmos um encontro presencial”. Porém, “a certa altura surge a necessidade de parceiros de negócio se conhecerem “realmente”, porque o ser humano é assim mesmo”.
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