“Faz sentido um movimento de concentração do setor”
A Sonae Capital revê-se como operador hoteleiro e não como proprietário. Em curso, tem a venda dos seus ativos para se focar na gestão hoteleira. Pedro Capitão, administrador da área da hotelaria da Sonae Capital, realça que a empresa quer crescer o portefólio através da integração de unidades de terceiros.

Raquel Relvas Neto
Estado de São Paulo vai ganhar novo aeroporto internacional
Páscoa deverá acelerar recrutamento na hotelaria de acordo com a Eurofirms
KLM celebra 85 anos em Portugal com oferta a crescer 23% este verão
CEAV Protour 2025 no Porto acentua relacionamento com a APAVT
Euroairlines assina acordo de interline com Azores Airlines
28ª edição da Intur de 13 a 16 de novembro em Valladolid
Majestic Princess apresenta-se com novos e renovados espaços
Wine Workshop Experience tem 1ª edição dia 16 de abril no Palácio Chiado
Governo de Cabo Verde de olhos postos no desenvolvimento turístico de Santo Antão
Algarve dá a conhecer as linhas de financiamento e Programa Empresas Turismo 360º
A Sonae Capital revê-se como operador hoteleiro e não como proprietário. Em curso, tem a venda dos seus ativos para se focar na gestão hoteleira. Pedro Capitão, administrador da área da hotelaria da Sonae Capital, realça que a empresa quer crescer o portefólio através da integração de unidades de terceiros.
2020 está a ser um ano de desafios para o turismo e para a hotelaria. Como foi gerir este ano na Sonae Capital?
A par com tudo o que o setor sentiu, o impacto foi difícil. Na generalidade, arrancámos bem, a crescer face ao ano anterior. Tinhamos a expetativa que ainda poderíamos manter operações [em março], mas tivemos de encerrar devido à ausência de clientes. O verão trouxe-nos alguma sensação de retoma. Na verdade, o público nacional acorreu com vontade de fazer férias, sobretudo os destinos de sol e praia reagiram bem, mesmo em contraste com o ano anterior. A cidade sofreu durante o ano inteiro, desde março, nunca mais teve a possibilidade de retoma. Do ponto de vista de mercado foi este o impacto que tivemos. Agora fomos novamente forçados a fechar em função também da crise sanitária e das restrições à atividade económica.
Do ponto de vista de gestão, diria que foi provavelmente dos anos mais desafiantes para mim e para as equipas, porque tivemos a necessidade constante de nos reinventarmos, tivemos de fazer muita coisa de base zero, ter de fazer várias interações para mudar o que tínhamos feito, para constatar que não era a coisa mais certa do ponto de vista operacional. As equipas de todas as unidades e a equipa transversal reagiram de forma plena ao desafio e conseguiram dar resposta.
Dentro do mau e do que nos preparámos para reagir, julgo que a resposta foi muito positiva e mostrou resiliência por parte das pessoas.
Recentemente, foi anunciado o negócio da venda da propriedade do Aqualuz Lagos a um fundo mas mantêm a gestão da mesma. Este é um modelo que pretendem replicar em outras unidades?
Sim. Nessa perspectiva, a Sonae Capital sempre teve intenção de manter apenas a exploração das unidades e não a propriedade, portanto, tal como o Aqualuz Lagos, temos planeado a venda dos outros ativos que ainda temos – Porto Palácio e Tróia. Temos isso em curso, não sei precisar datas. É algo que a prazo queremos concretizar, vemo-nos como operadores hoteleiros e não como proprietários. Dentro até do que tem sido o nosso programa de expansão do negócio temos enveredado
por contratos de arrendamento.
Nessa vertente de exploração, está prevista a integração de outras unidades que estão no mercado?
Para 2021, temos prevista a abertura de duas unidades: Santa Apolónia, em Lisboa, e nos Aliados, Porto. Para 2023 temos mais duas unidades previstas, uma para o Porto e uma em Lagos, todas em regime de arrendamento com a excepção de Santa Apolónia que é uma sub-concessão de longo prazo.
Esse tem sido o nosso modelo de crescimento e assim queremos manter. Uma das consequências desta crise e, em simultâneo, uma oportunidade, – e julgo que o próprio sector tem passado por ondas de reflexão – sobre se se deve ou não deve concentrar operações. Considero que, mais uma vez, somos globalmente confrontados com essa questão. Se calhar é uma oportunidade para repensar o que são estruturas de gestão e de detenção de ativos. Nesse sentido, temos uma equipa
profissional com competência e com ‘know how’ na gestão hoteleira, diria transversal, e com capacidade de fazer o ‘turnaround’ comercial e operacional de unidades, sobretudo no que diz respeito a unidades ‘stand alone’. Julgo que temos vocação para fazer a gestão de unidades dessa natureza preferencialmente com contratos de
gestão, mas diria que com flexibilidade suficiente para vermos formas diferentes de parceria.
Considera que estas alturas de crise vêm mostrar que importa ter uma estrutura focada, concentrada e especializada no negócio hoteleiro?
Certo, porque é aqui que se notam os maiores desafios. Num mercado que naturalmente cresce, quer com fluxos de clientes internacionais, é fácil crescer, os problemas não se colocam de forma tão premente. É nas alturas de crise que também há estas oportunidades e a reflexão sobre se faz sentido ou não estar no setor. E é também aí que a qualidade de uma equipa de gestão se nota mais do que num momento de crescimento natural.
Temos essa competência e também temos a solidez financeira da Sonae Capital. É um aspecto relevante do ponto de vista de crescimento e de criação de uma empresa com maior dimensão.
Leia a entrevista na íntegra aqui.